Obtenção do extrato de café verde conilon (Coffea canephora) e seus efeitos na resposta pós-prandial de incretinas e na homeostase da glicose.
Nome: THALIA GOMES DA SILVA
Data de publicação: 25/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANDRE GUSTAVO VASCONCELOS COSTA | Presidente |
| JOSEFINA BRESSAN | Examinador Externo |
| MARIANA GRANCIERI | Coorientador |
| NEUZA MARIA BRUNORO COSTA | Examinador Interno |
Resumo: O café é uma das bebidas mais consumidas mundialmente e tem sido amplamente investigada devido seus potenciais efeitos benéficos à saúde, atribuídos principalmente aos seus compostos fenólicos e bioativos. O café conilon (Coffea canephora) apresenta teores mais elevados desses compostos na forma dos grãos verdes, uma vez que o processo de torrefação promove perdas significativas desses compostos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar diferentes métodos de extração de café verde conilon e investigar os efeitos do consumo sobre parâmetros glicêmicos, hormonais e subjetivos de apetite em indivíduos eutróficos ou com obesidade. Os diferentes métodos de extração foram comparados em relação ao teor de compostos fenólicos totais, capacidade antioxidante e teor de compostos bioativos. De acordo com os resultados encontrados, dentre os métodos avaliados, a infusão convencional por 10 minutos a 90 ºC apresentou maiores concentrações de compostos de interesse e alta capacidade antioxidante, quando comparado aos demais métodos avaliados, sendo, assim, o escolhido para a utilização no ensaio clínico agudo. Foi realizado um estudo crossover, randomizado, simples-cego, com uma semana de wash-out entre os testes, no qual os voluntários, divididos em dois grupos, sendo um de pessoas eutróficas (n=10) e outro com pessoas com obesidade (n=9), consumiram um xarope controle, que continha 75g de glicose e 250 mL de água, e um xarope contendo 55 mL de extrato de café verde, 195 mL de água e 75g de glicose, e foram realizadas coletas sanguíneas nos tempos 0 (jejum), 15, 30, 60 e 120 minutos, simulando um teste de tolerância oral à glicose (TTOG). Nos mesmos tempos de coleta, os voluntários também responderam aos questionários referentes aos parâmetros subjetivos de apetite, por meio de escala visual analógica, permitindo uma avaliação das percepções subjetivas de apetite ao longo do período pós-prandial. As respostas glicêmicas e hormonais pós-prandiais apresentaram comportamento fisiológico esperado após a ingestão de glicose, com a elevação inicial da glicemia seguida pelo aumento da secreção de insulina e pela liberação das incretinas GIP e GLP-1. Contudo, não foram observadas diferenças significativas na glicemia e no GIP nas áreas abaixo da curva (AUC) total e incremental (p>0.05). Entretanto, a ingestão do xarope de glicose contendo extrato de café verde promoveu redução significativa das AUC total e incremental de insulina (p<0.05), sem alteração da glicemia, sugerindo maior eficiência metabólica e possível melhora na sensibilidade à insulina. Observou-se também uma redução da AUC incremental de GLP-1 (p<0.05) e um aumento da tAUC de glucagon (p<0.05). Em relação aos parâmetros subjetivos de apetite, avaliados através da escala visual analógica, não foram observadas diferenças significativas. Os resultados encontrados sugerem que, embora o extrato de café verde não tenha modulado a glicemia pós-prandial, foi capaz de alterar respostas hormonais relacionadas à homeostase glicêmica, reforçando o potencial efeito modulador do consumo agudo do extrato sobre o metabolismo de glicose.
